- Pergunta
- O que os planos de governo das eleições de 2026 dizem, e o que não dizem, sobre mudança climática, poluição do ar e a relação entre clima e saúde?
- Método
- Os 34 planos (13 à Presidência, 6 em São Paulo, 7 no Rio Grande do Sul e 8 no Maranhão) foram baixados do Tribunal Superior Eleitoral em 22 de setembro de 2026, em 37 arquivos e 2.319 páginas. Um dicionário de 192 termos, construído a partir da Política Nacional de Qualidade do Ar, da Resolução Conama 506/2024 e das Diretrizes de Qualidade do Ar da Organização Mundial da Saúde, foi aplicado da mesma forma a todos os planos. Cada ocorrência de um termo gera um trecho, classificado em um de quatro temas (mitigação climática; adaptação e eventos extremos; poluição do ar; impactos do clima na saúde) por duas leituras independentes com apoio de inteligência artificial, com 97,6% de concordância. Todos os trechos de poluição do ar e de saúde, e uma amostra dos demais, foram lidos um a um por revisão humana.
- Resultado
- Os planos tratam do clima sobretudo como adaptação a eventos extremos: dos 815 trechos registrados, 555 são de adaptação e 226 de mitigação. A poluição do ar aparece em 16 trechos, de 7 planos; a relação entre clima e saúde, em 18 trechos, de 9 planos. Sete dos 34 planos não mencionam nenhum dos quatro temas. Apenas 6 trechos, em 4 planos, trazem meta quantificada, e nenhum deles em poluição do ar ou saúde. Termos como material particulado e MP2,5 não aparecem em nenhuma das 2.319 páginas.